Nova classe média

Back to The Country of The Future

Chronicle of the Foretold Crisis
How did the European financial earthquake affects the common Brazilian citizen income already in 2012? The W of the question: Tsunami or a ripple? Who looses and who wins with the crisis?   Are inequality and poverty still declining? Is Brazilian inequality in its all time low historical record?

inglês

Superação da Pobreza e a Nova Classe Média do Campo

Marcelo Neri, Luisa Melo e Samanta Monte
Novembro, 2012

Sobre o livro: 

O crescimento médio tupiniquim dos últimos anos esteve longe de ser um grande espetáculo do crescimento. Se apontarmos o binóculo para a plateia: quem se sentou na primeira fila e quem perdeu o show das rendas crescentes? No período de 2001 a 2009, a renda dos 10% mais pobres no Brasil subiu 69,08%. Esse ganho cai paulatinamente à medida que nos aproximamos do topo da distribuição, atingindo 12,8% entre os 10% mais ricos, taxa de crescimento mais próxima da média que a dos pobres. Os mais pobres experimentam crescimento à semelhança do chinês. Os mais ricos se veem num país estagnado, como sugere uma manchete do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que não enxerga desigualdade. A renda cresceu mais nas pobres áreas rurais do que nas cidades pequenas, médias ou grandes. Similarmente, a renda do Nordeste subiu mais que no “Sudeste maravilha”. Os setores de atividade com desempenho acima da mé- dia incluem aqueles que abrigam a parcela de pessoas menos escolarizadas, como as que trabalham com serviços domésticos, construção e agricultura. De maneira geral, a renda de grupos tradicionalmente excluídos, como negros, analfabetos, mulheres e nordestinos, assim como moradores das periferias, campos e construções, cresceu mais no século XXI. Essa tendência é contrastante com a de países desenvolvidos e a de outros países emergentes, como os demais do grupo BRICS(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), nos quais a desigualdade cresce a olhos vistos. Mais do que o país do futuro entrando no novo milênio, o Brasil, último país do mundo ocidental a abolir a escravatura, começa a se libertar da herança escravagista.

O objetivo deste livro é descortinar o admirável mundo novo no campo mais tradicional dos estudos de pobreza, aqui e alhures, que é a área rural. Se a nova pobreza brasileira fica na periferia e nas favelas das grandes cidades, a velha pobreza continua no campo. Agora existe uma gama de grupos emergentes no velho Brasil que precisam ser identificados e estudados nas suas particularidades. O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV) vem há mais de uma década se caracterizando pelo processamento e análise em primeira mão de cada safra de microdados colhida, analisando a distribuição de renda lato senso e indicadores de pobreza. Há alguns anos, estendemos a análise da pobreza absoluta para outros segmentos da população. Em particular, passamos a acompanhar a evolução das classes econômicas E, D, C e AB. Os sociólogos podem relaxar, pois não estamos falando de classes sociais (operariado, burguesia, capitalistas etc.), mas de estratos econômicos. Leia-se “dinheiro no bolso”, essa que seria segundo os economistas a parte mais sensível da anatomia humana. Nova classe média foi o apelido que demos à classe C anos atrás. Chamar a pessoa de classe C soava depreciativo, pior do que classe A ou B, por exemplo. Nova classe média dá o sentido positivo e prospectivo daquele que realizou ? e continua a realizar ? o sonho de subir na vida. É preciso combinar os instrumentais de análise da pobreza enquanto insuficiência de renda e aplicar as transformações em curso. A opção foi alinhar nossas inovações na metodologia de análise na profícua literatura de medidas de pobreza e de bem-estar social baseadas em renda domiciliar per capita e suas relações com o mercado de trabalho e a educação. A partir desse ponto de partida, incorporamos outras dimensões fundamentais, como os temas de sustentabilidade e sensibilidade das pessoas sobre suas vidas. O primeiro caso trata das relações concretas entre fluxos de renda e a acumulação de estoques de ativos abertos em duas grandes frentes: a do consumidor e a do produtor. O segundo adentra pela literatura subjetiva acerca de percepções e felicidade. Ou seja, classe econômica baseada em renda é apenas o passo inicial da metodologia aqui empregada fornecendo um referencial útil inicial para alinhar as mudanças de ativos e de percepções de segmentos da sociedade. Em suma, buscamos neste livro mapear o trajeto entre a velha pobreza e a nova classe média do campo, seus avanços, percalços, assim como os desafios que se colocam pela frente. Oferecemos complementarmente um site na internet que permitirá, a cada um, olhar para questões de interesse no campo desde uma perspectiva própria.

Marcelo Neri

"O trabalho de Marcelo Neri é uma leitura indispensável para entender as profundas mudanças sociais ocorridas no Brasil nos últimos anos." Luiz Inácio Lula da Silva

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Gostaria de sugerir a todos que se dedicam ao tema da redução da pobreza a leitura do livro de Marcelo Neri. Ele é um dos brasileiros que têm ajudado o Brasil a combater a pobreza e a miséria" Presidente Dilma Rouseeff

"Superação da Pobreza e a Nova Classe Média no Campo, de Marcelo Neri, traz novas luzes para a intensidade das mudanças que vêm ocorrendo no meio rural." José Graziano da Silva - Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)

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