Impactos do Covid

Impactos do Covid

 

Tempo para Escola na Pandemia

Qual é o tempo total dedicado ao estudo durante a pandemia? Como variaram a matrícula e a jornada escolar em casa por faixa etária? E por estrato de renda?  O tempo de estudo foi mais afetado pela falta de oferta de materiais remotos pelos gestores educacionais ou pela falta de interesse dos estudantes? Como variam todas as respostas acima por estados e pelos municípios das capitais?

O objetivo central dessa pesquisa é municiar os gestores públicos e privados de políticas educacionais e os demais atores envolvidos na educação (professores, pais e alunos) respondendo a estas perguntas e oferecendo outras informações a respeito do tempo total dedicado em casa para a escola durante a crise do Covid-19, seus determinantes próximos e a natureza dos problemas percebidos, se de oferta ou de demanda.

Propomos um indicador síntese que marca como um relógio as horas dedicadas por cada estudante potencial ao aprendizado à distância. Este indicador integra a questão discreta de estar ou não matriculado, com a marcação dos dias e das horas de fato empenhados no ensino remoto. O tempo para escola médio para o grupo de 6 a 15 anos em Agosto de 2020 calculado a partir dos microdados da PNAD Covid foi de 2,37 horas diárias por dia útil, logo inferior ao mínimo da Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDBE). Quanto mais velho é o estudante, menor é o tempo dedicado para o estudo remoto. Os adolescentes de 16 e 17 anos matriculados se dedicam relativamente mais ao ensino remoto, mas sofrem com uma maior evasão escolar, e por isso apresentam no computo geral menor tempo para escola que as crianças entre 6 e 15 anos. Há também um salto relevante a partir dos 18 anos, com queda do tempo para escola de 2,34 para 0,95 horas/dia. O principal componente que explica essa diferença é a queda da taxa de matrícula escolar de 90% para 35%, fato que já ocorria antes da pandemia.

A falta de atividades escolares percebidas pelos estudantes é mais relacionada à inexistência de oferta por parte das redes escolares do que a problemas de demanda dos próprios alunos. Enquanto 13,5% dos estudantes de 6 a 15 anos não receberam materiais dos gestores educacionais e professores, apenas 2,88% não utilizaram os materiais que receberam por alguma razão pessoal. A análise por estrato de renda mostra que quanto mais pobre é o indivíduo, menor é a frequência na escola, menor a quantidade de exercícios recebidos e, pra piorar, menor o tempo dedicado aos exercícios recebidos. Consequentemente, menor foi o tempo para escola. É importante ressaltar que os alunos mais pobres são 633% mais afetados pela falta de oferta de atividades escolares que os alunos mais ricos. Conclui-se que a desigualdade de oportunidades e de resultados educacionais aumentará durante a pandemia, quebrando tendência histórica de décadas.

A análise territorial para o grupo de 6 a 15 anos mostra que o Acre é a última colocada entre as Unidades da Federação, com menos que a metade do tempo para escola do líder Distrito Federal (1,29 e 2,96, respectivamente). Mesmo os melhores colocados entre os estados e capitais também não tiveram um tempo para escola superior à jornada escolar mínima proposta pela LDBE, que é baixa para padrões internacionais. A falta de oferta de atividade escolar se dá por falta de envio de material por parte da rede de ensino,  indo de 2,09% dos estudantes no Paraná a 45,3% no Pará. De maneira geral, alunos da região Norte também menos se envolveram com as poucas atividades que receberam, fatos que sugerem a existência de problemas de infraestrutura domiciliar e de demanda por parte desses alunos, além de um agravamento nas desigualdades regionais de educação  no Brasil pós-pandemia. Ao fim e ao cabo, os resultados apontam para uma perda do crescimento e da equidade na acumulação de capital humano, com efeitos negativos para o país no longo prazo.

Veja a pesquisa em http://www.fgv.br/cps/TempoParaEscola


Covid, Classes Econômicas e o Caminho do Meio: Crônica da Crise até Agosto de 2020

Levantamento de classes econômicas brasileiras realizado a partir de dados factuais coletados durante a pandemia mostra que o número de pobres no Brasil (renda domiciliar per capita até ½ salário mínimo) caiu 15 milhões entre 2019 e agosto de 2020. Uma queda de 23,7%, ritmo muito superior ao observado em momentos de boom social no Brasil, como nos períodos seguintes ao lançamento dos planos de estabilização como o Cruzado em 1986 e o Real em 1994, atingindo os menores níveis da série histórica com um estoque de 50 milhões de pobres. Já os estratos mais abastados com renda acima de dois salários mínimos per capita perderam 4,8 milhões de pessoas em plena pandemia. Ambos os movimentos, aliados ao crescimento populacional do período (1,6 milhões), impulsionam o contingente intermediário compreendido entre os dois intervalos. O miolo da distribuição de renda tupiniquim cresceu em cerca de 21,5 milhões de pessoas, quase meia população Argentina.  A queda simultânea no topo e na base da distribuição populacional se deve a combinação dos efeitos econômicos deletérios da pandemia à adoção de amplas medidas para mitigar os seus efeitos, como a concessão do Auxílio Emergencial (AE) e o Benefício Emergencial (BEm) trabalhista. As taxas de redução de pobreza no Nordeste (-30.4%) e Norte (-27.5%), regiões que possuem maiores parcelas do público-alvo do Auxílio Emergencial, foram superiores às demais.

Abrindo as mudanças de classes econômicas no tempo, cerca de 13.1 milhões que haviam saído da pobreza até julho de 2020 apesar da queda de renda trabalhista no primeiro trimestre da pandemia de -20.5% na média e -27.9% na metade inferior da distribuição de rendimentos, paradoxo explicado pelo Auxilio Emergencial. Apenas em agosto mais 2 milhões de brasileiros saíram da pobreza. O topo da distribuição que havia perdido 5,8 milhões de pessoas até julho, recupera um milhão em agosto, gerando no segundo momento um incremento liquido adicional de um milhão de pessoas no meio da distribuição. Esta expansão dos segmentos intermediários de renda, identificados com a chamada classe C, se deve a recuperação parcial do terremoto no mercado de trabalho em todas as classes e ao auxílio emergencial pleno. O auxilio emergencial atingiu um pico de 67 milhões de beneficiários diretos a um custo de 322 bilhões em nove meses, cujo valor supera 9 anos de Bolsa Família, conforme proposta orçamentaria de 2021. Este resumo da ópera de três classes e dois atos, é apenas o começo da crônica de uma crise. As transferências oficiais emergenciais caem à metade agora e desaparecem em 31 de dezembro quando teremos meia população da Venezuela de volta à velha pobreza apenas pelo fim do efeito-auxilio, fora novos programas sociais e as cicatrizes trabalhistas de natureza mais permanente abertas pela crise.

Para além das mudanças de renda, as PNADs Covid aferem alguns comportamentos em relação à pandemia nos diferentes estratos econômicos. O segmento mais pobre, que é alvo do Auxilio Emergencial, apresenta taxas mais baixas de isolamento social, por exemplo, em agosto, 6,15% deste grupo ficou rigorosamente isolado e 40,7% ficou em casa e só saiu por necessidade básica, nível inferior à média da população total. Estes resultados sugerem que o Auxilio Emergencial impactou mais os níveis de renda, e que os mais pobres não conseguiram exercer ações mais ajustadas às necessidades impostas pela pandemia.

Veja a pesquisa em http://www.fgv.br/cps/CovidClasses


Efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho brasileiro: Desigualdades, ingredientes trabalhistas e o papel da jornada

No primeiro trimestre completo da pandemia a renda individual do trabalho do brasileiro, aí incluindo segmentos formais, informais e desocupados, apresentou queda média de 20.1%, enquanto a sua desigualdade, medida pelo índice de Gini, subiu 2.82%. Tanto o nível como a variação das duas variáveis constituem recordes negativos nas respectivas séries históricas iniciadas em 2012. 
A renda trabalhista da metade mais pobre da distribuição caiu 27.9% contra 17.5% para os 10% mais ricos brasileiros. Os principais grupos sociais perdedores da crise foram os indígenas (-28.6%), os analfabetos (-27.4%) e os jovens entre 20 e 24 anos (-26%). Todas as Unidades da Federação e suas respectivas capitais pesquisadas apresentaram quedas de renda do trabalho. Pernambuco e Recife são as localidades mais afetadas pelas vias do mercado de trabalho.
A queda de renda média de 20.1% teve como principal impulsionador a redução da jornada de trabalho média de 14.34%, enquanto a taxa de ocupação caiu 9.9%. Exercício contrafactual sugere que a taxa de ocupação cairia 22.8% se a jornada de trabalho ficasse constante. O efeito poupador de postos de trabalho da redução na jornada de trabalho socializa perdas e evita cicatrizes mais permanentes no mercado de trabalho. Este efeito foi maior entre as mulheres assim como entre os empregados privados formais mais pobres, fatos que são consistentes com a implementação da suspensão parcial do contrato de trabalho instituída após o início da pandemia.

Veja a pesquisa em http://www.fgv.br/cps/Covid&Trabalho


Onde estão os idosos? Conhecimento contra o Covid-19

Quem são os idosos brasileiros? Como se sustentam? Onde vivem? (dados por países, estados, capitais, municípios e vizinhanças críticas). O objetivo é ajudar o desenho de políticas para mitigar os efeitos mais graves da pandemia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas idosas estão mais propensas a desenvolver um quadro severo da doença, e uma maior taxa de letalidade. Localizar os idosos é fundamental, dada a natureza mundial da crise do Covid-19 e a diferenciação de suas consequências nos diversos estratos sociais, econômicos e geográficos. O desafio é pensar global para agir local. Somos todos responsáveis pela proteção dos nossos idosos. A pesquisa disponibiliza um amplo e amigável banco de dados interativo com mapas, rankings, tabuladores e simuladores de modelos estatísticos sobre anciãos de diversas faixas etárias. Permitindo, assim, estudar a distribuição de renda e de educação, o acesso a moradia e a meios de comunicação entre outras dimensões. O conjunto da obra permitirá a cada um dar respostas sobre o tema.

Veja a pesquisa em http://www.fgv.br/cps/covidage

 


Qual foi o Impacto Imediato da Pandemia do Covid sobre as Classes Econômicas Brasileiras?

Levantamento de classes econômicas brasileiras realizado a partir de dados factuais coletados durante a pandemia mostra que o número de pobres no Brasil (rendas per capita menores que ½ salário mínimo) caiu 13,1 milhões entre 2019 e julho de 2020. Uma queda de 20,69%, ritmo muito superior ao observado em momentos de boom social no Brasil, como nos períodos seguintes ao lançamento dos planos de estabilização como o Cruzado em 1986 e o Real em 1994. Já os estratos com rendas per capita acima de dois salários mínimos per capita perderam 5,8 milhões de pessoas em plena pandemia. Ambos os movimentos impulsionam o contingente populacional intermediário compreendido entre os dois intervalos. Portanto, o miolo da distribuição de renda tupiniquim cresceu em cerca de 20,5 milhões de pessoas, quase meia população Argentina.  A queda populacional simultânea no topo e na base da distribuição se deve a combinação dos efeitos econômicos deletérios da pandemia à adoção de medidas para mitigar os seus efeitos, como a concessão do Auxílio Emergencial. As taxas de redução de pobreza no Nordeste e Norte, regiões que possuem maiores parcelas do público-alvo do Auxílio Emergencial, foram superiores às demais.

Para além das mudanças de renda, a PNAD Covid de Julho de 2020 afere alguns comportamentos em relação à pandemia nos diferentes estratos econômicos. O segmento  mais pobre, que é alvo do Auxilio Emergencial, apresenta taxas mais altas de isolamento social, por exemplo, 27,8% deste grupo ficou rigorosamente isolado e 48,3% ficou em casa e só saiu por necessidade básica, nível superior em 4 a 5 pontos de porcentagem em relação ao total da população. Estes resultados sugerem que o Auxilio Emergencial impactou não só a renda, mas também os comportamentos mais ajustados às necessidades impostas pela pandemia. Porém, a manutenção deste auxílio não se mostra fiscalmente sustentável.

Veja a pesquisa em http://www.fgv.br/cps/Covid&Classes