Insegurança Alimentar no Brasil: Pandemia, Tendências e Comparações Globais

Maio/2022

Sobre a pesquisa: 

RESUMO: O Brasil ocupa lugar de destaque no tema insegurança alimentar, seja pela produção agrícola, seja pelas dificuldades que os brasileiros têm de lidar com falta de comida. Oferecemos a partir do processamento dos dados do Gallup World Poll, uma fotografia mais recente da insegurança alimentar da população brasileira (2021 – coletada de agosto a novembro) e o acompanhamento de suas mudanças no período da pandemia do Covid-19. Esta base permite plena comparabilidade entre 160 países, em bases anuais desde 2006, nos possibilitando medir aqui diferenças de prazo mais longo de insegurança alimentar entre o Brasil e o mundo, assim como de seus determinantes próximos como renda, escolaridade, gênero e idade.

Fome na pandemia - A parcela de brasileiros que não teve dinheiro para alimentar a si ou a sua família em algum momento nos últimos 12 meses subiu de 30% em 2019 para 36% em 2021, atingindo novo recorde da série iniciada em 2006. É a primeira vez desde então que a insegurança alimentar brasileira supera a média simples mundial. Comparando a média simples dos mesmos 120 países com o Brasil, antes e durante a pandemia, a insegurança alimentar subiu 4,48 pontos percentuais mais aqui, que no conjunto de países (aumento percentual quatro vezes maior no Brasil), sugerindo ineficácia relativa de ações nacionais.

Piora dos pobres - O aumento da insegurança alimentar entre os 20% mais pobres no Brasil durante a pandemia foi de 22 pontos percentuais, saindo de 53% em 2019 chegando a 75% em 2021. Já os 20% mais ricos, experimentaram queda de insegurança alimentar de três pontos percentuais (indo de 10% para 7%). Na comparação com média global de 122 países em 2021, nossos 20% mais pobres tem 27 pontos percentuais a mais de insegurança alimentar enquanto nossos 20% mais ricos apresentam 14 pontos percentuais a menos. Altos níveis e aumentos de desigualdade de insegurança alimentar brasileira por renda são também encontrados por níveis de escolaridade.

Feminização da fome – Observamos crescente e marcada assimetria de insegurança alimentar entre homens e mulheres no Brasil.  De 2019 a 2021, houve queda de 1 ponto percentual para homens (cai de 27% para 26%) e aumento 14 pontos percentuais entre as mulheres (sobe de 33% para 47%). Como resultado, a diferença entre gêneros da insegurança alimentar em 2021 é 6 vezes maior no Brasil do que na média global. As mulheres, principalmente aquelas entre 30 e 49 anos, onde o aumento foi maior, tendem a estar mais próximas das crianças e gerando consequências para o futuro do país, uma vez que subnutrição infantil deixa marcas permanentes físicas e mentais para toda vida. 

Países – O  ranking dos 10 países com mais insegurança alimentar em 2021 é liderado por países africanos, tais como o Zimbawe (80%), Zâmbia (79%), Serra Leoa (77%), entre outros, mas incluindo Venezuela (72%) e Afeganistão (70%), com níveis próximos ao apresentado pelos 20% mais pobres brasileiros (75%). A menor insegurança alimentar é na Suécia (5%), não muito distante da observada para os 20% mais ricos brasileiros (7%). 

Ao comparamos a insegurança alimentar de pessoas com os mesmos atributos sociodemográficos em diferentes países no período 2006 a 2018 como educação, idade, gênero etc, .As chances de insegurança alimentar global sobem 63,5% no mundo entre 2006 e 2018. Por outro lado, na comparação 109 países apresentam segurança alimentar maior que a brasileira, 48 países apresentam insegurança alimentar menor que a brasileira e 8 países apresentaram igualdade estatística com os níveis brasileiros. O Brasil se encontrava antes da pandemia abaixo da norma internacional dado seu nível de renda. Este quadro mudou com a pandemia.

Pobreza e Perspectivas – Mostramos a relevância atribuída aos temas alimentação e pobreza pela população aqui a partir de pesquisas subjetivas. Evidenciamos também um paralelo entre diferentes medidas de insegurança alimentar e com indicadores de pobreza baseada em renda no Brasil. Em 2019, período pré-pandemia, 11% da população, ou cerca de 23 milhões de pessoas, estavam abaixo da linha de pobreza de R$ 290 mês por pessoa. Em outubro 2021, era 13% da população, cerca de 27,6 milhões de pessoas. Os números incluem, portanto, mais 4,6 milhões de novos pobres na pandemia.  Avaliamos prospectivamente o impacto das mudanças introduzidas em programas de combate à pobreza vis a vis ao cenário corrente de estagflação especialmente prevalente entre os pobres brasileiros. 
 

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I Mapa Mundi (%) Falta dinheiro para alimentação - 2021 / 2019 / 2014
l Ranking - (%) Falta dinheiro para alimentação - 2021 / 2019 / 2014 / 2010 / 2006 
Mapa - Regressão logística - Razão de chances 
l Mapa - Biênios 2005 a 2018
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